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Criação de Tenébrio
Molitor
para alimentação de curiós durante a estação de cria
Escrito por: Gilberto Ferreira Barbosa

O TENÉBRIO MOLITOR
PERTENCENTE A ORDEM DOS COLEÓPTEROS, SUAS LARVAS SE
CONSTITUEM NA MAIS PRÁTICA E ECONÔMICA OPÇÃO DE ALIMENTAÇÃO PARA CRIA DOS
CURIÓS POR TRATAR-SE DE FONTE RICA EM PROTEÍNA E MATÉRIA FOSFATADA.
O
TENÉBRIO
O Tenebrio molitor
caracteriza-se pela sua espantosa reprodução de algo entre 500 a 1000 larvas
por desova de cada coleóptero. É exigente de calor e atinge sua máxima
produtividade em torno dos 26 a 32 Graus Celsius. Não voa, preferindo sempre
ambientes secos e escuros. Desprovidos de qualquer tipo de odor ou ferrão,
não picam ou secretam qualquer tipo de líquido ou substâncias desagradáveis
e prejudiciais ao homem, não constando em sua ficha que seja transmissor de
qualquer tipo de doença, podendo no máximo, os besouros adultos, servir de
hospedeiros intermediários para algumas espécies de parasitas. De todos os
alimentos vivos que se empregam na alimentação dos pássaros, as larvas do
Tenebrio molitor se constituem na mais prática, econômica e nutritiva
fonte de alimento em especial aos ninhengos, por tratar-se de fonte rica em
proteína animal, carboidrato, matéria fosfatada e fibras digestíveis.
MORFOLOGIA
O Coleóptero
Tenebrio molitor (besouro)
adulto macho mede de 10 a 15mm sendo que as fêmeas são um pouco maiores
situando-se entre 10 e 18mm.

COMPONENTES MORFOLÓGICOS


CICLO DE VIDA
O
ciclo de vida completo do
Tenebrio molitor
compreende quatro fases distintas que são: ovo – larva – pupa – imago,
completando todo o ciclo em aproximadamente quatro a cinco meses de duração,
podendo ainda se estender até doze meses dependendo das condições
climáticas, em especial a temperatura do ambiente. Cada fêmea do besouro
bota de 500 a 1000 ovos no ambiente aonde eles infestam denominado de
terrário que eclodem entre 10 a 15 dias, tornando-se visíveis a olho nu
apenas pelo movimento que transmitem ao substrato no centro da desova. À
medida que crescem efetuarão de 5 a 7 mudas de pele, por ser esta quitinosa
e não acompanhar o crescimento larval. É comum observarmos a presença das
peles sobre o local da desova, pois nesta fase as larvas mantêm-se
agrupadas, separando-se mais tarde com o crescimento que durará
aproximadamente 60 dias, quando atingirão o seu tamanho máximo cerca de 18 a
24mm para em seguida puparem. Logo após as mudas as larvas são de coloração
branca e muito mole constituindo-se em excelente alimento.

CRIAÇÃO
RACIONAL DOMÉSTICA
TENÉBRIO MOLITOR
TERRÁRIO
Caixas
Para se iniciar uma criação
doméstica de Tenébrios recomendamos a construção de no mínimo duas caixas de
madeira com as seguintes dimensões:
(40x40x20) cm
dotadas de tampa constituída por um pedaço de tela metálica de malha de
(2x2) mm com dimensões de (50x50) cm que será colocada por cima da caixa de
forma que ultrapasse todo o seu perímetro de 5cm que será dobrada ao longo
de toda a sua volta redobrando lateralmente nos cantos. Esta tampa alem de
evitar a decomposição e contaminação do substrato por fungos permite maior
aeração, evita as fugas de besouros bem como os freqüentes esmagamentos de
larvas e besouros das tampas em corrediças, dispensando ainda despesas com
fechos, dobradiças etc. Deverão receber internamente revestimento em chapa
fina de alumínio fixada mediante ação de pistola de grampear com a
finalidade de proteger a madeira da ação dos besouros e larvas. Este
procedimento é dispensado nas caixas plásticas. Pode ainda ser utilizado
para substituir as caixas em madeira, gavetas plásticas transparentes destas
que compõem as geladeiras domésticas ou ainda caixas plásticas em PVC de
tamanhos variados encontradas facilmente no mercado. As tampas para as
caixas plásticas deverão ser confeccionadas a exemplo das de madeira tendo o
cuidado de efetuar cortes na tela para obter-se um dobramento anatômico e
eficiente.
Substrato
Deverá ser
composto basicamente de cereais e derivados ricos em carboidratos. Deve-se
dedicar especial atenção à decomposição de seus componentes quanto à
presença de fungos, bactérias e parasitos nocivos ao ambiente. Rações muito
ricas em proteína e carboidrato são as mais indicadas, no entanto contra
indicamos pela sua rápida perecividade por fermentação e contaminação
levando a caixa à ruína total, em especial no inverno.
Recomendamos para
compor o substrato uma mistura de ração granulado para pássaro (sabiá,
pássaro preto) peletizada com no máximo 22% de proteína e alto teor de
cálcio misturada a 20% do seu volume a farelo de trigo. O substrato deve ter
uma espessura máxima de 15 cm e umidade compreendida entre 8 a 10%. Ração
para frangos, cães e outros animais não deve ser usada. O terrário não deve
ficar em ambiente úmido acima de 75% de umidade relativa e muito menos em
locais que possibilitem o umedecimento do substrato pois isto provocaria uma
fermentação e a conseqüente derrocada da caixa. As larvas e besouros possuem
a capacidade de retirar umidade do ar no entanto, no verão, quando a
temperatura sobe muito e a umidade relativa cai a níveis muito baixos
precisamos fornecer suprimento de líquido mediante algumas fatias
transversais de chuchu com 1 cm de grossura após lavarmos as fatias para
remoção do leite, e seca-las ao sol por quatro horas; podemos fornecer ainda
espigas de milho verde, e folhas de papel absorvente levemente umedecidos em
água. Todos os fornecimentos de líquidos devem ser ministrados com
moderação, evitando a contaminação acidental do substrato por líquidos. O
ideal é manter o terrário em um quarto seco e em penumbra. Os tenébrios
odeiam a incidência direta dos raios solares e possuem hábitos noturnos.
Formação da Colônia
Existem várias
maneiras de se iniciar uma colônia de Tenébrios, mas gostaríamos de
recomendar uma forma de obter um desenvolvimento rápido da colônia e
saudável do substrato, já que se deteriora muito rapidamente se não for logo
devorado pelos habitantes da caixa. A maneira mais eficiente de
multiplicação de caixas é: Estando o substrato pronto e em condições de
receber os novos moradores, escolhemos uma caixa bastante produtiva do nosso
terrário que irá fornecer os Tenébrios para a nova colônia e, buscando
identificar todas as quatro fases de desenvolvimento do Tenébrio retiramos
aproximadamente 1000 ml (um litro) do rico e saudável substrato contento o
Tenébrio em todas as suas fases e transportamos para a nova caixa aonde
depositamos o material dividido em duas porções distintas e em dois buracos
efetuados no novo substrato.
Observamos nos dias que se seguem muita atividade na
caixa, em especial a trituração do substrato pelas larvas, que é o sinal de
que tudo esta ocorrendo bem. Após alguns dias observamos a presença de peles
de larvas sobre o substrato, é que elas precisam crescer e a pele não
cresce. Então farão cerca de 6 a 7 mudas de pele e elas não devem ser
removidas pois ajudam na proteção e aquecimento. Nesta fase cobrimos 50% do
substrato com toalhas de papel absorvente sobreposta uma sobre as outras em
quantidade máxima de 5 toalhas. Estas toalhas são muito comuns nos
sanitários públicos, e servirão de refúgio para as larvas que irão pupar e
espontaneamente migram para o seu interior para cumprirem a
METAMORFOSE.
À medida que o ciclo se desenvolve com a prostração ou
hibernação das primeiras larvas da colônia fornecidas pela caixa “mãe”,
surge no fundo da caixa por baixo do substrato uma camada de pó finíssimo
composto por excremento de larvas e besouros, ração triturada, alem de ovos
de tenébrio, que se deslocam por ação mecânica das larvas (fricção) para o
fundo da caixa. Neste estágio dizemos que a caixa está “PEGADA”.
Metamorfose
Todo o processo
de transformação de Larva – Pupa - Imago ocorre de forma rápida e abundante
mediante temperatura ambiente entre 26° a 32° graus Celsius e umidade
relativa do ar em torno de 75%.
Após a migração
das larvas para a toalha de papel, observam-se alguns dias de prostração sem
qualquer movimento e passam a apresentar coloração amarelada com aumento do
seu diâmetro, engrossam e entram na fase de pupa. Nesta fase a metamorfose
se completa dando origem ao imago. A pupa não se move normalmente, mais
quando tocada move-se principalmente para deslocar-se para a superfície.
Dentro do pupal a larva vai lentamente transformando-se no corpo do imago
medindo aproximadamente 1,5 mm e é de um branco levemente esverdeado no
início a um branco amarelado no fim. No final do processo a pupa se abre
liberando o imago que tem coloração branca no início mudando para um bege e
vermelho amarronzado. No fim, todo processo dura aproximadamente 2 dias. Os
imagos são moles e marrons nas costas; Os besouros adultos são pretos e
muito duros.
Temos observado
os tenébrios há aproximadamente 15 anos e posso afirmar que nunca os vi
voar, efetuam movimentos com as asas muito raramente e seu vôo não passa de
um salto de aproximadamente 10 a 15 cm.
Após a cruza da
fêmea mediante monta do macho, a fêmea efetua uma postura de 500 a 1000 ovos
de coloração branca de forma ovalada, envoltos por uma substância pegajosa
que permitem a aderência dos mesmos aos materiais do substrato e logo em
seguida morre e é devorada por todos, restando apenas as asas e o escudo. A
eclosão se verifica entre 10 a 15 dias, completando todo o ciclo
reprodutivo.
Manejo e Reciclagem Da Caixa
Costumamos
acrescentar após o primeiro ciclo, suplementos alimentares de manutenção,
que são distribuídos cuidadosamente na caixa evitando remoções e
revolvimento do substrato, bem como soterramento das pupas e, para tanto,
suspendemos cuidadosamente as toalhas de papel absorvente para repormos de 2
a 3 cm de substrato novo nas mesmas proporções estabelecidas no início para
formação da caixa.
Após dois ciclos
consecutivos (aproximadamente 8 meses) todo o substrato já foi devorado e
transformando em uma camada de pó finíssimo composto por excremento de
larvas e resíduo de besouros mortos.
A camada de pó
residual constitui-se praticamente de 100% da caixa que não mais comporta
suplementação alimentar por falta de espaço. Aí, verificamos a existência de
besouros vivos e pupas. Em caso afirmativo temos a indicação da presença
de milhares de ovos no pó, além de milhares de larvas minúsculas, bem como
larvas de todos os tamanhos. Só nos resta agora proceder à reciclagem da
caixa.
A reciclagem
compreende o peneiramento da caixa, formação da caixa reciclada, separação
das larvas destinadas a alimentação das fêmeas em cria e quarentena do
resíduo do pó peneirado.
Peneiramento
O Peneiramento da
caixa consiste no processamento de todo o seu conteúdo através de 2 (duas)
peneiras, sendo a primeira com # 2 mm e a segunda com # 1 mm. Todo o pó que
passar pelas duas peneiras será separado em caixa plástica com tampa telada
e ficará em repouso por 60 dias, depositado em camada não superior a 6 cm
sendo 5cm de pó e 1cm de farelo de trigo. Após 60 dias todo o pó será
reprocessado na peneira com # 1 mm e retirado todas as larvas e micro larvas
que irão para uma caixa plástica de tampa telada denominada Berçário. O pó
residual será usado no jardim por ser um excelente adubo.
O material que
ficar retido na peneira com # 2 mm , após catação com pinça de todos os
besouros conjuntamente com as larvas médias, e grandes irão para a caixa
original já provida de limpeza geral e novo substrato conforme anteriormente
descrito para dar continuidade a novos Ciclos.
As larvas retidas
na peneira com # 1 mm, conjuntamente com larvas pequenas retidas na peneira
com # 2 mm que ficaram presas na malha ou que espontaneamente não passaram
por esta, são catadas com pinça ou varridas a pincel macio e, irão para uma
caixa plástica de tampa telada denominada Creche.
Verificamos com o
manejo que repomos a caixa principal ou Caixa Mãe somente com besouros,
larvas grandes e médias e pupas se houverem e surgirão duas novas caixas
denominadas de: Caixa Creche e Caixa Berçário que fornecerão as larvas para
alimentação das fêmeas em cria.
Alimentação
de Fêmeas em Cria
A caixa Berçário
é uma caixa plástica tipo gaveta, destas que compõem as geladeiras
domésticas vendidas no mercado como peça de reposição, eu as utilizo durante
a estação de cria como berçário com as larvas retidas na peneira n° 1mm
aonde recebem uma alimentação a base de: Farelo de trigo, farelo de aveia,
Super Toplife em pó, um pouco de Cálcio em pó e gema de ovo cozida
peneirada e desidratada. Separo de véspera a quantidade de larvas a serem
usadas em fêmeas com filhotes de 0 a 4 dias e deixo-as passarem a noite em
vasilhame de vidro tipo Pirex contendo apenas uma toalha de papel absorvente
umedecida em uma solução de VITA GOLD potenciado e água na proporção de 20
gotas para 50ml de água efetuando-se a completa hidratação das larvas que
serão servidas aos filhotes recém nascidos. Ressalto ainda o uso de soro
caseiro em substituição a água em casos especiais para hidratar filhotes de
0 a 4 dias.
A caixa Creche é
idêntica a caixa Berçário em todos os sentidos menos no tipo de larva que
neste caso são as larvas retidas na peneira n° 1mm quando do primeiro
processamento. Portanto possuem um maior porte que as larvas do berçário, o
processo de alimentação e hidratação é o mesmo, diferindo apenas que irão
para fêmeas com filhotes entre 4 e 30 dias de nascidos. Observe que à medida
que os filhotes crescem as larvas também crescem. Se houver uma
predominância de filhotes de 0 a 4 dias podemos submeter às larvas a baixas
temperaturas para retardar o seu crescimento, refrigerando-as em temperatura
entre 5° e 13° graus Celsius, sem problema.
As larvas são
fornecidas sem restrição de quantidade em vasilhames do tipo banheira
durante todo o período de cria.
Composição nutricional das
Larvas de Tenébrio
Segundo a Dra. Nancy Nehring.
Revista Reptiles Magazine (July 1996).
Nutritional Information
Mealworms consist of the following:
As larvas de tenébrio
consistem no seguinte:
Umidade
......................... 57%
Proteína
...........................24%
Carboidratos
..................2,8%
Fibra
...............................2,3%
Cálcio
............................. 0,02%
Indeterminados
............13,88%
OBS: Precisamos
acrescentar a alimentação dos tenébrios suplementos ricos em Cálcio.
Predadores e Parasitas
Predadores
Dentre os
predadores do Tenébrio Molitor mais significativos que atuam no Terrário
encontramos a lagartixa (Réptil), a garrincha (Troglodytes músculos) pássaro
, e formigas diversas, sendo que os dois primeiros não atacam as caixas,
estão sempre em busca de alguma larva fujona, o que de certa forma
constitui-se num trabalho benéfico dado ao poder destrutivo que as larvas
exercem soltas dentro de uma residência. As formigas destroem qualquer
Terrário, devem ser combatidas a qualquer custo sobre pena de perdermos toda
a criação. Costuma-se untar com Vaselina Sólida, Graxa Lubrificante os pés
das mesas e estantes que suportam as caixas evitando deste modo o ataque.
Também é muito usado vasilhames com óleo sob os pés das mesas e estantes com
muita eficiência.
Parasitas
Os parasitas que
infestam as caixas de Tenébrios Molitor mais significativos pelo estrago que
provocam são: aranhas (Aracnídeos) - atacam as larvas em várias fases de seu
desenvolvimento, gorgulhos e carunchos - pequenos besouros de coloração
avermelhada muito ágeis que atacam o substrato, mariposa - pequena medindo
aproximadamente 8mm de comprimento e de cor bege esbranquiçada. Suas larvas
ficam dento de longos tubos construídos com material do substrato por
aglutinação de partículas mediante o lançamento de substância viscosa
secretada por sua larva. Transformam ao longo do tempo toda a caixa em uma
imensa ramificação de casulos atacando em especial as larvas em todas as
fases do seu desenvolvimento. A sua larva é de cor branca, e à medida que se
desloca emite uma substância viscosa que vai aglutinando tudo no seu
caminho. A larva dentro de algum tempo empupa, transformando-se novamente em
mariposa que voam quando abrimos a caixa contaminando todo o terrário .
Verifica-se ainda
a presença de mofo no substrato por excesso de umidade no ambiente do
terrário. Todo o substrato assume coloração esverdeada e somos obrigados a
promover a reciclagem imediata de toda a caixa sobre pena de perde-la.
Prevenção
A maneira mais
eficiente de combater os parasitas é a prevenção. Devemos submeter todo o
substrato a temperatura de 90°C para esterilização, e só depois utiliza-lo.
Caso ocorra a contaminação de uma caixa por qualquer um dos parasitas
citados, devemos tomar as iniciativas de combate manual imediatamente.
Quando das reciclagens periódicas efetuamos combate manual em todo o
material submetido a peneiramento e efetuamos por medida de segurança a
troca de todas as tolhas de papel absorvente.
NOTA
Desejoso de
contribuir com aqueles que estão iniciando na reprodução dos Curiós, e
conhecedor das dificuldades encontradas pelos mesmos para alimentar as
ninhadas, encorajaram-me por fazer este relato sobre Tenébrio Molitor e sua
criação reunindo toda a experiência conseguida durante vários anos com
narração detalhada dos métodos por nós experimentados com sucesso durante
todos estes anos. Estou convencido de ser o Tenébrio molitor o melhor
alimento para criar filhotes de Curiós em criação doméstica, não sendo
necessário qualquer outro tipo de alimentação, exceto a concomitância com
uma boa mistura de sementes e a farinhada de ovo cozido e peneirado com
milharina e Toplife.
O AUTOR
GILSON FERREIRA BARBOSA |