Nasce um “rei” no Zoológico de São Paulo

Desde que foi fundado, em 1958, o Zoológico nunca havia tido sucesso na reprodução de urubu-rei (Sarcoramphus papa).

O Zôo mantém dois recintos na área de exposição ao público com casais desta espécie e após algumas mudanças na alimentação e nos recintos, obteve as primeiras posturas de ovos. Depois de algumas tentativas sem sucesso da incubação pelos pais, os últimos ovos foram retirados e levados para a sala de chocadeiras. Antes de serem incubados, os ovos foram higienizados, numerados e pesados e então encaminhados para uma chocadeira com uma temperatura em torno de 37,5o C e 60% de umidade.

Acompanhar o desenvolvimento do embrião é um passo muito importante para o sucesso no nascimento, para isso utilizamos um ovoscópio, aparelho composto por uma lâmpada que emite um feixe de luz que atravessa o ovo, permitindo assim, visualizar o interior dele. A partir do nono dia foi possível observar o pequeno embrião no centro do ovo com diversos vasos sangüíneos ao seu redor, demonstrando um desenvolvimento normal. No geral, o manejo cauteloso dos ovos ocasiona o nascimento de filhotes saudáveis, ou seja, erros durante a incubação podem ser fatais ou acarretar sérios problemas na formação do embrião.

Após um período de 54 dias, em 24 de agosto nasceu o primeiro filhote de urubu-rei. Hoje com quase 4 meses, ele serve de companhia para o seu irmão mais novo, nascido em 8 de novembro. Os filhotes estão sendo mantidos em uma sala especial e recebem cuidados dos técnicos do Setor de Aves.
Os urubus são aves consumidoras de carne em putrefação desempenhando um importante papel saneador, eliminando matéria orgânica em decomposição. O suco gástrico dos urubus é bioquimicamente tão ativo que neutraliza as toxinas cadavéricas e bactérias, eliminando posteriores infecções. Na natureza localizam o alimento através do seu apurado olfato e geralmente são os primeiros animais a encontrar a carcaça. Em cativeiro recebem alimento fresco portanto são limpos e não apresentam odor fétido característico.

A alimentação dos filhotes no Zôo consiste em ratos criados no biotério e como ainda não sabem comer sozinhos, recebem o alimento diretamente no bico com o auxílio de uma pinça. Todo o desenvolvimento dos filhotes está sendo registrado e acompanhado pelos técnicos.

Os filhotes de urubu-rei nascem com uma plumagem branca e a partir do segundo mês aparecem as primeiras penas pretas nas asas, permanecendo completamente pretos até o terceiro ano. Nesta fase podem ser confundidos com urubus comuns. Com o passar dos anos começam a adquirir a coloração característica de adultos, ou seja, penas brancas e pretas, com a cabeça e pescoço nus em tons de cinza, vermelho e laranja.

O Urubu-rei é uma espécie brasileira ameaçada de extinção principalmente pela destruição de seu habitat, portanto dados sobre sobre o desenvolvimento de filhotes em cativeiro servirá para aprimorar os conhecimentos no manejo desta exuberante ave.

Fernanda Junqueira Vaz
Bióloga do Setor de Aves do Zoológico de São Paulo-COOPEMA

 

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